Melhor Visualização em 800x600

POESIA SOBRE IRMÃ DOROTHY

Todos sabiam... também desta vez!

Todos sabiam,
Governos e autoridades sabiam,
Fazendeiros e madeireiros sabiam
O INCRA sabia, a polícia sabia
A igreja e a CPT sabíamos.
Tu sabias, Dorothy
E continuaste destemida e corajosamente
Fala mansa, decisão irrenunciável,
Olhos claros, coragem inabalável.
Falaste, denunciaste, esperaste...sem retroceder
As balas chegaram primeiro
Não era o que querias, não era o que queríamos:
Ministros, autoridades, o secretário e as polícias
para investigar tua morte,
Entidades, igrejas, lideranças:
Para velar teu corpo, manifestar, protestar, chorar.
Falhou o estado em não concretizar as decisões,
Em não defender as vidas ameaçadas.
Falhamos nós no compromisso, na solidariedade, no apoio.
O que você queria e pedia era
Estado e igreja, autoridades e CPT lá em Anapú,
Contigo e com teu povo, na hora da luta e do perigo!
Agora choramos de raiva e de dor, de impotência.
Chegamos tarde, Dorothy, perdoe-nos!
Não! Dorothy, velha de guerra, não nos perdoa, ainda!
Deixa-nos na nossa dor e na nossa raiva,
Deixa-nos incomodados e machucados.
Até que as lágrimas e a dor se tornem coragem vigilante,
decisão renovada de continuar denunciando e lutando,
para acordar as consciências adormecidas
e as vontades acomodadas.
Até que nos tornemos dignos de tua luta e de tua fé
De teu compromisso e coragem.
Abraça Josimo, Adelaide, Margarida, Gringo e... todos os outros
dancem e cantem na ciranda da Vida sem fim.
Vocês merecem!
Até um dia, irmã-companheira.

Anna Maria, CPT do Amapá

Amapá, 13 fevereiro de 2005.