EM BUSCA DE SENTIDO
----------Na vida, sentido tem a ver
com vinculação a um objetivo envolvente, direcionamento.
Sentido fundamenta, mobiliza, justifica escolhas, dá significado,
relaciona, conduz e integra. Por conseguinte, une sentimentos, valores,
atitudes e decisões a um centro, a uma finalidade e, assim,
direciona. Ao unificar, o sentido qualifica o que fazemos no presente
e encaminha um bem presente ao futuro que já passa a marcar
presença. Desta forma, se faz núcleo de prazeroso estar-no-mundo-com-outros,
na liberdade.
----------Em
um desenraizamento global – perda de referências - com
desencantamento – instabilidade emocional - o tecido cultural
se desintegra e a pessoa se fragmenta. Desequilibram-se representações
relativas à verdade, à moral, à religião,
à política, à educação, à
ciência e à economia. A pessoa se vê ameaçada
em sua unidade interior. Desejos se quebram na submissão, são
anulados no adiamento indefinido ou esvaziados por imediata satisfação.
----------Está
estabelecida a crise. Em grego, crise – krinein – significa
separar, discernir, avaliar para reordenar. A crise de sentido visa
reformular, endireitar, aprofundar nosso modo de lidar com a vida
em tudo que lhe diz respeito. Mal enfrentada, a crise se torna berço
de desencontros. Uma visão tacanha estimula o jogo “esconde-esconde”,
um fazer-de-conta como se tudo estivesse normal. O resultado será
: superficialidade no relacionar e inconsistência no ser e agir.
----------Fugitivas
de si, as pessoas se perdem em sentimentos de medo, frustração,
agressividade e fuga, mostrando-se pouco criativas em conviver com
a natural ambivalência. O que consome merece atenção;
juventude, beleza, status, poder e eficiência são os
grandes valores. Investe-se em coisas manipuláveis e projeta-se
sobre a realidade exterior a frustração que se vai acumulando
dentro de si. Resta
o pessimismo no exercício de uma cidadania omissa.
----------Um contexto de pulverização
é porta aberta para uma globalização consumista,
em que a esperteza velhaca se substitui à responsabilidade
cidadã. É o que, no momento, constatamos. O mal-estar
da cultura priva a convivência de sua significação,
impõe o funcionalismo econômico, abafa o idealismo político
e favorece o imediatismo religioso. Porém, toda crise é
um sinal. Como tal, um apelo, uma nova oportunidade para um bem maior,
um futuro promissor.
----------Isto
requer ater-se a um ponto convergente – graças a uma
visão ampla e uma atitude equilibrada – a preencher de
sentido a existência, o trabalho, o lazer, o crer e o conviver.
Mesmo assim, o sentido é mais dádiva que conquista,
pede mais acolhida que desempenho. Tem a ver com escolha e exercício.
Transcende o simples manipular.Importante é a mensagem que
edifica, o testemunho que motiva, a ideologia que envolve e a espiritualidade
que liberta.
----------Está
em jogo uma visão de vida e mundo, um parâmetro a garantir
a validade do que fazemos e sofremos em setores como personalidade,
família, sexualidade, política e religião, etc.
O que não vale é o desânimo, o fundamentalismo,
o pensamento único e o totalitarismo. Somos habitantes de um
mundo imperfeito, de uma sociedade em construção e de
seres humanos que são um projeto em execução.
Paz perfeita e plena harmonia se encontram sempre muito à frente.
----------A
nós cabe a posição de peregrinos em um mundo
em permanente evolução, em que somos convidados a dar
uma contribuição pessoal e comunitária dentro
de um contexto com despedidas e chegadas, com graves problemas e imensas
possibilidades. Urge nossa parcela de ajuda, preparando o caminho
para melhor entendimento entre as pessoas, maior equilíbrio
entre as classes sociais e maior fraternidade entre culturas e religiões.
Isto faz sentido:crescer,cooperar, curtir.
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Frei Cláudio van Balen