AGORA é LULA LÁ e LUTA AQUI!
Frei Gilvander Moreira
-----------------Defendemos
o ponto de vista segundo o qual com a reeleição de Lula,
os pobres do Brasil, da Venezuela, da Bolívia, da América
Afrolatíndia, da Ásia e África ganham e a elite
dominante perde. Ganham os pobres e perdem os ricos porque saem fortalecidos
os campos que, na política, representam alternativas de contraposição
ao modelo capitalista hegemônico. Na atualidade, enfrentamos
a difícil tarefa de propor saídas contra o mito do desenvolvimento
e o do neoliberalismo como única saída para a crise
que se perpetua no chamado Estado Social. Apresenta-se, então,
a derrota das velhas oligarquias como uma oportunidade renovada para
o fortalecimento da solidariedade entre os povos e a sustentabilidade
da vida na terra.
-----------------O
veredicto popular demonstrou nas urnas o amadurecimento político
como sinal de passos firmes no discernimento entre a ideologia do
mercado e a socialização dos bens a serviço das
maiorias; entre vender o país aos interesses do capital estrangeiro
e lutar para que a nação seja livre e soberana. Há
muito caminho ainda a ser percorrido, até mesmo porque o Governo
Lula está em débito com os brasileiros. Está
devendo respostas condizentes às expectativas dos movimentos
populares que o apóiam desde a primeira candidatura à
Presidência.
-----------------Entretanto,
a despeito do longo caminho a ser trilhado, alguns aspectos chamam
a nossa atenção. O PFL, partido da elite dominante,
ficou mais encurralado. Perdeu na Bahia, no Maranhão e em outros
Estados. Os povos baianos, maranhenses, sergipanos, acreanos e paraenses
estão de parabéns, pois deram um basta ao coronelismo
imperante.
-----------------Muita
gente estranhou a grande votação devotada a Mal-uf e
Clodovil. É importante observar que antes de eleito para o
Congresso, Mal-uf já tinha em seu currículo muita política
assistencialista e clientelista o que mantém significativo
número de votos manipuláveis. Obviamente que isso acabou
garantindo-lhe expressiva votação. Clodovil, por sua
vez, já tinha ampla visibilidade na mídia, espaço
que é sem dúvida mais alienante do que formador de opinião.
Os meios de comunicação acabam fazendo as vezes de um
“verdadeiro” Parlamento. O que a TV e os jornais afirmam
passam a ser repetido como verdades inquestionáveis.
-----------------Uma
coisa pode ser dada como certa: o Congresso Nacional continua sendo
a cara do Brasil. Ainda hoje o coronelismo se mantém graças
aos votos de cabresto. A Lei 9840, na prática, foi flagrantemente
desrespeitada. De fato, o poder econômico e midiático
carrearam uma montanha de votos para pessoas que não representam
o povo. Em grande parte a eleição mostrou a continuidade
de uma política sem ética. A midiocracia (o poder da
mídia) é muito mais poderosa que todas as nossas instituições
políticas somadas. E nela predominam o efêmero, o vulgar,
o episódico, a notícia fragmentada e descontextualizada
e principalmente o poder econômico da mesma elite que está
enraizada ou que volta os seus interesses para fora do país.
-----------------Collor,
expulso da política por uma nação indignada com
a corrupção, voltou como senador,agora referendado nas
urnas. Cada governo tem o povo que merece, sobretudo quando este Governo
investe em Educação menos de 4% do PIB e delega aos
interesses privados bens públicos, como o rádio e a
TV, sem exigir contrapartidas de interesse da sociedade. Transfere
para a iniciativa privada a prestação dos serviços
públicos de saúde, de educação e assistência
social, tudo como negócio e não como dever do Estado.
-----------------Foi
muito bom o Lula ter sido reeleito. Contudo, os limites e as ambigüidades
do 1º mandato de Lula estão nos dizendo que política
partidária representa apenas uns 15% do poder de transformação
social que precisamos. Para mudar radicalmente as estruturas capitalistas
neoliberais, nas quais perpetuam os banqueiros devem ser construídas
propostas concretas com a efetiva participação popular.
A hora é de LUTA, aqui e em todos os cantos e recantos do Brasil.
-----------------A
hora então é de fortalecer os movimentos populares e
sociais e lutar pela conquista dos direitos humanos de modo a construir
uma Sociedade Sustentável. Não dá mais para se
contentar com Desenvolvimento Sustentável. Para o Brasil crescer
5% ao ano, Lula disse que é preciso construir mais, no mínimo,
três grandes hidrelétricas (do rio Madeira, Guaporé
e etc) com lagos artificiais maiores do que o de Tucuruí. Eis
uma pergunta necessária: Quanta depredação ambiental
vai necessária para que o Brasil cresça 5 ou 6% nos
próximos anos? Isso é contradição. Ou
é desenvolvimento ou é sustentável.
-----------------A
experiência do segundo turno deve levar o presidente a pensar
acerca da necessidade de mudar a política econômica.
Chega de privilegiar banqueiros, grandes empresários e latifundiários
do agronegócio. Estes mesmos que continuam saqueando o povo
e que impedem a realização da autêntica reforma
agrária, das reformas urbana, política e tributária
e que financiam as grandes destruições da natureza.
O desenvolvimento que esperamos das políticas de governo neste
2º mandato não podem estar mais na linha do progresso
pelo progresso, da exploração e do avanço tecnológico
que depreda o ambiente. A sustentabilidade deve estar na linha da
biodiversidade, da preservação e da conservação
de todo o ambiente e convivência harmônica do ser humano
com a natureza e com os demais seres humanos no planeta.
-----------------Presidente,
esperamos que neste segundo mandato a prioridade do governo seja efetivamente
os brasileiros que mais precisam de políticas públicas.
Da nossa parte e até por nós mesmos, pela nossa saúde,
pela nossa segurança, pela paz em todos o território,
seja no campo ou na cidade, desejamos-lhe boa sorte!
Frei Gilvander Moreira
e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br