Frei
Carlos Mesters visita a Ocupação Dandara
Por Prof. Fábio Alves
(1) e
frei Gilvander Moreira (2)
.

Frei Carlos Mesters e Joviano na Ocupação
Dandara – 15/08/2009
----------Sábado,
dia 15 de agosto de 2009, dia da Assunção de
Nossa Senhora, os carmelitas frei Carlos Mesters e o frei
Alberto Fernandes visitaram a Ocupação Dandara,
no bairro Céu Azul, na região da Nova Pampulha,
em Belo Horizonte, onde 1.087 famílias sem-casa e sem-terra
ocupam um terreno de quase 40 hectares (quase 400 mil metros
quadrados) abandonado há décadas, sem cumprir
a função social. A construtora Modelo, que reivindica
a propriedade do terreno, deve milhões de IPTU à
prefeitura de Belo Horizonte. A Construtora Modelo junto com
sua co-irmã a Construtora Lótus enfrentam mais
de 2.557 processos na justiça.
----------No
momento em que frei Carlos Mesters, frei Alberto, frei Gilvander,
os professores Cristiano, Fábio Alves, Antônio
Júlio e muitos/as outros apoiadores – acompanhados
de muita gente de Dandara - peregrinavam pelos barracos da
Ocupação Dandara chegou um caminhão com
tijolos e areia para a construção da casa de
uma das famílias do acampamento. Apressadamente, o
povo conseguiu descarregar apenas os tijolos, enquanto várias
viaturas da polícia chegavam com as sirenes alardeando
que um aparato bélico estava chegando ali para proteger
os interesses da Construtora Modelo. A Polícia Militar,
ilegalmente, impediu a entrada do material. Prendeu o motorista
e o caminhão. O tenente que coordenava a operação
dizia que a ordem do Coronel Euler Queiroz, comandante do
13º Batalhão da PM, continua sendo a de não
permitir a entrada de material de construção.
Isto vem acontecendo há quatro meses. A Promotora de
Direitos Humanos esteve na Dandara e disse que a PM não
poderia impedir a entrada do material de construção.
Afinal de contas a comunidade está na posse da área
por decisão Judicial da Corte Superior do Tribunal
de Justiça de Minas. E a Justiça não
restringiu o uso e gozo da posse de nenhuma maneira. Logo,
a polícia está agindo de forma ilegal e truculenta;
está ignorando a decisão judicial de um tribunal.
Isso é um absurdo.

----------Após
ver com os próprios olhos a agressão da polícia
ao povo da Ocupação Dandara, após cumprimentar
muitas pessoas, ouvir os clamores de várias pessoas
que lutam para conquistar uma casa para viver com dignidade,
em reunião com os moradores, Frei Carlos Mesters falou
por uns dez minutos sobre passagens bíblicas que animam
a caminhada do povo. Partiu da história de Moisés.
Lembrou que, no Egito, havia uma ordem do Faraó, ordenando
a morte dos meninos que nascessem das mulheres dos hebreus.
As parteiras, driblando a vigilância da polícia
do rei, deixavam nascer os meninos e não os matavam.
Chegaram a ponto de colocar um desses meninos perto de onde
se banhava a filha do rei. Esta protegeu a criança
e, sem saber, deu à própria mãe a criança
para que ela cuidasse por um tempo. As parteiras e a mãe
de Moisés foram muito espertas e salvaram a vida das
crianças. Eram simples como as pombas, mas foram espertas
com as cobras.
----------Depois
veio a luta de Moisés para não aceitar o convite
de Deus para libertar o seu povo do cativeiro do Egito. Moisés
tinha medo. Deus, porém, foi firme com ele. E o povo
partiu para a liberdade. Quando chegou diante do mar, teve
um impasse. Na frente, o mar; detrás, o exército
do Faraó, querendo trazer o povo de volta para o cativeiro.
Moisés, então, mandou o povo dar um passo adiante.
O povo deu um passo adiante e o mar se abriu. O medo foi vencido
pelo povo unido e organizado. O povo que tinha fé no
Deus da vida, fé em si mesmo e nos pequenos.
----------Deus
disse a Moisés: pegue esta cobra pela cauda. Moisés
vacilou. Deus insistiu. Moisés adquiriu coragem e pegou
a cobra pela cauda. A cobra se transformou num bastão,
com o qual Moisés bateu no mar e o mar se abriu, bateu
na rocha e dela saiu água. Assim aconteceu com Moisés,
com Arão e com tantos do passado. Assim, o que era
obstáculo se transformou em instrumento de libertação.
O que parece impossível à primeira vista se
torna possível quando se luta com fé e firmeza.

----------Deus
hoje chama a cada um/a dos moradores da Ocupação
Dandara a continuar na luta pela libertação.
Ninguém precisa obedecer a uma lei injusta e imoral.
Não pode ser a polícia que diz o que o povo
deve ou não fazer. O povo, como as parteiras do Egito,
tem que criar formas alternativas para fazer o material de
construção entrar no acampamento. Deus quer
que o povo dê um passo adiante, mesmo que o mar da dominação
esteja à frente. Se o povo constrói a casa,
o mar vai se abrir, como se abriu no tempo de Moisés.
Construir a casa em mutirão num terreno conquistado
na força da união é construir sobre a
rocha. A casa não cairá se vier uma tempestade.
A Comunidade Camilo Torres, no bairro do Barreiro, em Belo
Horizonte, está dando o exemplo, 140 famílias
que não tinham casa para viver resistem há quase
dois anos e já construíram na raça 140
casas. Estão livres da cruz do aluguel e das áreas
de risco.
----------Após
a reflexão de frei Carlos Mesters, depois de orações
e hinos, o povo ficou mais animado para continuar a luta.
----------P.S.:
Em breve enviaremos um vídeo sobre a visita de frei
Carlos Mesters ao povo da Ocupação Dandara.
Cf. www.ocupacaodandara.blospot.com

(1)
E-mail:
fabiosantos@pucminas.br
(2) E-mail:
gilvander@igrejadocarmo.com.br
– www.gilvander.org.br