Melhor Visualização em 800x600


VIVER : TRANSCENDER-SE

----------Em cada forma de existir, até nas coisas mais simples e nos seres mais vulneráveis, há uma força que acena e conduz para uma meta. Peregrinos esperançosos, muito além de nós mesmos, somos faíscas de uma plenitude. Um sonho de amor está em nossa origem. Sentimo-nos envolvidos por uma alegria contagiante. Uma fome de crescer nos sustenta.

----------O ponto de partida é a identificação com o que vivemos a fim de nos elevar acima do alcançado ou sonhado. Nisso, o “ainda-não”, em ritmo de adiamento, nos encaminha para o que seremos. A cada momento, um objetivo alcançado se despede para que, à guisa de botão, suscite um novo encontro, fazendo estremecer as fibras mais íntimas de cada ser.

----------Nenhuma floração é merecida nem pode ser extorquida, sendo que se eleva muito acima de um simples evento biológico ou psicológico. Há uma descontinuidade que parece prescindir das raízes, enquanto enriquece tudo e todos com algo novo. Se não há floração sem esforço, tampouco ela é algo autônomo; é, antes, uma obra de arte, um milagre que nos é presenteado.

----------O decisivo não é ser, mas buscar; não é conquistar, mas receber; não é defender, mas testemunhar; não é ser dono, mas fruir; não é ter saudade, mas viver de esperança e superar-se de novo. Viver é transbordar. É preciso sugar a magia do ser, viver em estado de admiração e assumir o milagre a renovar-se em todas as modalidades de ser.

----------Nessa caminhada, somos estimulados a abrir o leque para envolver outros pertencendo a nós e nós a eles. Trazemos algo deles em nosso íntimo e, neles, encontramos algo de nós. Se a fé gera amor, por que ainda não amamos melhor a nós mesmos e oferecemos tanta resistência a outros? Em tudo, a tarefa é respeitar, acolher, integrar, transcender-se.

Frei Claudio van Balen