VIVER : TRANSCENDER-SE
----------Em
cada forma de existir, até nas coisas mais simples
e nos seres mais vulneráveis, há uma força
que acena e conduz para uma meta. Peregrinos esperançosos,
muito além de nós mesmos, somos faíscas
de uma plenitude. Um sonho de amor está em nossa origem.
Sentimo-nos envolvidos por uma alegria contagiante. Uma fome
de crescer nos sustenta.
----------O
ponto de partida é a identificação com
o que vivemos a fim de nos elevar acima do alcançado
ou sonhado. Nisso, o “ainda-não”, em ritmo
de adiamento, nos encaminha para o que seremos. A cada momento,
um objetivo alcançado se despede para que, à
guisa de botão, suscite um novo encontro, fazendo estremecer
as fibras mais íntimas de cada ser.
----------Nenhuma
floração é merecida nem pode ser extorquida,
sendo que se eleva muito acima de um simples evento biológico
ou psicológico. Há uma descontinuidade que parece
prescindir das raízes, enquanto enriquece tudo e todos
com algo novo. Se não há floração
sem esforço, tampouco ela é algo autônomo;
é, antes, uma obra de arte, um milagre que nos é
presenteado.
----------O
decisivo não é ser, mas buscar; não é
conquistar, mas receber; não é defender, mas
testemunhar; não é ser dono, mas fruir; não
é ter saudade, mas viver de esperança e superar-se
de novo. Viver é transbordar. É preciso sugar
a magia do ser, viver em estado de admiração
e assumir o milagre a renovar-se em todas as modalidades de
ser.
----------Nessa
caminhada, somos estimulados a abrir o leque para envolver
outros pertencendo a nós e nós a eles. Trazemos
algo deles em nosso íntimo e, neles, encontramos algo
de nós. Se a fé gera amor, por que ainda não
amamos melhor a nós mesmos e oferecemos tanta resistência
a outros? Em tudo, a tarefa é respeitar, acolher, integrar,
transcender-se.
Frei Claudio van
Balen