NO MAR DA VIDA
Bem que poderíamos ser habitantes de uma pequena ilha.
Tudo super avaliável, e bem administrável, sem
grandes tropeços nem misteriosos desafios. Se, hoje,
algum cientista sustenta essa tese, claro é que Deus
passaria a ser inútil, supérfluo, danoso, obstrução
para vida digna. Enquanto isso, todos nós desafiados
no planeta, sem rumo no universo. Abandonados, com redes vazias.
Seria Deus a última justificativa das Cruzadas, da
Inquisição, do 11 de setembro, dos anátemas,
da proibição de comungar e da atuação
da mulher em ritos religiosos? Como? Deus não cabe
em uma hipótese científica, em um sistema eclesiástico,
na ortodoxia burocrática de pastores nem em uma rede
vazia de famintos. Misteriosa é a vida, complexo o
ser humano. Indecifrável é Deus!
Mais. Indelével a grandiosa ‘experiência’
de Deus mediante encontros pessoais regidos pela gratuidade
no ser e sofrer, no confiar e vencer. Certo é que há
algo muito mais que o simples evoluir físico. Quem
o afirma, teimosamente, é a vida –algo muito
superior a uma fria equação científica.
O ser humano dá conta de se fazer ‘anjo da guarda’
para seu próximo se reerguer, gigante, em meio a ruínas.
Sim, a evolução, às vezes, dá
conta de ultrapassar sua medida. Somos capazes de deixar para
trás antigas fronteiras, fazendo o bem sob o impulso
de algo ‘divino’ em nós e a serviço
do divino em outros. No mar da vida navegamos em uma correnteza
muito além da lógica fria da razão pretensamente
todo-poderosa. Às vezes, basta um convite: “Lançai
a rede!” para criar ordem no caos de nosso ser e restabelecer
harmonia na convivência. Redes vazias ficam cheias.
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Frei Claudio van Balen