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PAI E FILHO PRÓDIGOS

Nesta Quaresma, já refletimos sobre as Provas de Jesus, sobre a Transfiguração e sobre a mudança de vida a partir da Figueira Estéril. Hoje nos é proposta a parábola do Pai e do Filho Pródigos. Contexto|: a queixa dos fariseus e dos doutores da lei, que não se conformavam que Jesus se relacionasse com gente pecadora e tomasse refeição com pessoas de má fama. Estas mereciam ser excluídas da convivência, sobretudo no setor da religiosidade oficial.

Hoje, que tipo de pessoa poderíamos lembrar? Talvez um divorciado, um drogado, um alcoólatra, alguém que fez aborto, um pessoa que abandonou a fé ou até uma comunidade de fiéis que continuam na rotina de sempre e acham que não precisam mudar em nada. Na parábola, o filho mais velho não está de acordo com a recepção festiva que o pai oferece ao filho mal comportado. Quem se destaca: o filho desordeiro, o filho invejoso ou o pai clemente?

O que enche o céu de alegria? Moralismo que pune desviados ou compaixão que os resgata? Jesus não ensina como moralista; não se limita a insistir no que se deve ou não se pode fazer. Antes, em sua benevolência, multiplica convites, aponta rumos; mostra a porta aberta e insiste que a mesa está posta. Pessoas aparentemente mal vistas gostam de ouvi-lo. E elas até mudam. Ao contrário, pessoas muito apegadas a normas e tradições, essas se escandalizam.

Enquanto os pretensamente puros se afastam, os impuros recebem uma nova chance. Eis do que se trata no movimento de Jesus. Todos que se reconhecem inspirados, atraídos e mobilizados por Jesus, são convidados a fazerem parte da festa da vida. O que não pode é praticar exclusão e injustiças. Nada de, sem mais e em tudo, seguir a receita costumeira, nada de promover acordos suspeitos e de estrangular fé e amor por mesquinhez.

Jesus é sempre a favor da vida. Ele desmascara hipocrisia, promove maltratados, quer relações de respeito e de inclusão. Os que são excluídos pelo poder injusto ou por uma religião moralista, sintam-se, por ele, convidados a se integrarem em comunidades cristãs. Haja alegria quando pessoas se reencontram com a vida, quando são acolhidas sem preconceito e experimentam fraternidade.Prevaleça entre nós uma espiritualidade de acolhida e de inserção.
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Frei Claudio van Balen