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EM TORNO DO BOM PASTOR

----------Todo grupo humano tem necessidade de se definir, seja por um líder, por um espaço, pela celebração de sua história, por costumes e textos. É o que reflete sua visão de mundo e propõe um objetivo determinado. Desse elã identificador e transformador, a religião participa, reforçando os laços de solidariedade entre os adeptos por comunhão em doutrinas, ritos, normas e celebrações - herança comum a garantir unidade inovadora.

----------Cerimônias de iniciação garantem a pertença ao grupo, fomentando uma vida peculiar, rica em sentido, com valores e responsabilidades, graças a personalidades coesas e participativas. Educação religiosa forma no conteúdo doutrinário e na participação de celebrações em vista de um objetivo de vida. Observâncias específicas simbolizam fidelidade ao grupo que, por sua vez, imprime uma marca à convivência.

----------Só reforçar-se a construção comunitária por alguma lei, condicionada por circunstâncias. Isto confere solidez a hábitos definidos a enriquecer e orientar o viver. No Cristianismo, o divino, ‘sopro’ indomável – ninguém sabe de onde vem nem para onde conduz - não permite um controle fixo e uniforme, no sentido de ser algo rígida e permanentemente homogêneo. A história – um vir a ser – é um processo dinâmico que exige inserção.

----------Impõe-se a atitude de acolher a ‘diferença’ e de praticar hospitalidade para com o ‘diferente’. A definição de uma ‘identidade’ é uma construção temporal – com valores básicos permanentes - qual passarela para um ‘outro’ futuro. De fato, ser religioso exige ultrapassar-se, na sensibilidade ao novo, a fim de não esclerosar-se nem tornar-se intolerante. Eis que venho e faço novas todas as coisas. Acolhamos sua presença, Bom Pastor

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Frei Claudio van Balen