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A S C E N S Ã O

A morte de Jesus consagrou a aprendizagem de seus discípulos(as). Dois anos e meio na “Escola do Amor”. Antes, a Religião da imposição só com tradição; agora também a Religião do Reino com inserção na realidade. Antes, devoções – oração, jejum, esmola - ; agora, a graça – compaixão, entrega confiante, gestos de lava-pés. Antes, a cobrança – observância, méritos, exclusão; agora, o amor – vida renovada, inclusão.

Graças à experiência da morte, o testemunho de Jesus passou a brilhar com todo vigor. O Mestre passou a ser visto como personificação do Reino. Eis que a grande novidade ao alcance de todos. Contagiados, os discípulos(as) puderam ver, na ‘vida-morte-doação’ de Jesus, a grandeza de sua missão. A luz se fez. A nova perspectiva se impôs. Interiormente tocados, a novidade triunfou: a morte gerou vida nova.

Mudança radical. Compromisso p´ra valer. Agora, o “espírito de Jesus” os impele. Eis que eles se põem a caminho. Não como doutores da lei nem como mestres de disciplina, mas como “testemunhas” de um amor que transpõe as fronteiras da culpa, do medo, da exclusão. O sonho é a riqueza da caminhada: O Pai em mim, eu no Pai; vós em mim, eu em vós. Barreiras eliminadas, muros derrubados, portas abertas. Não há judeu nem grego; todos: filhos-irmãos.

A novidade: a estreiteza mental acolheu horizontes sem fronteira, a mesquinhez interesseira se transformou em coragem destemida, o particularismo grupal revestiu-se da amplidão de uma fraternidade universal, a ânsia de poder cedeu lugar ao gesto de "Lava-Pés”. Mais que Jesus subir para o céu, a terra é reconhecida como espaço de Deus para todos. Todos abençoados, a humanidade confraternizada. A religião se despoja de vaidade e prepotência a fim de se transformar em celebração do amor.

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Frei Cláudio van Balen