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‘LINGUAGEM DE DEUS’


Na interpretação da Bíblia aplica-se esta regra: quando algo ‘estranho’ sucede, contrariando o bom senso, supõe-se que isso ‘não aconteceu’ (fisicamente), porém é ‘verdadeiro’; isto é, contém uma mensagem ‘espiritual’, algo para nos orientar. A narrativa do jovem de Naím evoca a mensagem da leitura de hoje, em que Elias restitui à vida o filho da viúva. Para Lucas e sua comunidade, Jesus é o novo ‘Elias’, profeta.

Nas duas narrativas não se focaliza tanto o jovem que passa a viver ‘de novo’, mas sua restituição à ‘mãe’. A compaixão de Elias e de Jesus visa a ‘mãe-viúva’ que ficou sozinha e, por conseguinte, sem amparo físico, social e econômico. Pior, no contexto daquele tempo, a morte do ‘filho’ era considerada como ‘culpa’ da mãe. De fato, a viúva de Sarepta desabafa: Você veio à minha casa para lembrar minhas culpas?

Em ambos os casos, se transmite que a viúva, social e religiosamente, há de ser integrada na ‘convivência’. Como antigamente o grande profeta Elias libertou uma viúva do ‘isolamento’, agora é Jesus que, por sua mensagem e ação, se faz motivo para todos louvarem a Deus que veio visitar seu povo. Eis uma ‘boa nova’: na pessoa de Jesus, Deus revela seu bem-querer a favor dos mais frágeis e carentes – ‘sentido’ da práxis da fé.

Assim nos é dado experimentar, em Jesus e seus discípulos, o sonho de Deus. Ninguém - nem mesmo uma pobre ‘viúva’ - há de ficar desamparado em meio à nossa convivência. Temos de ser ‘coração’ e ‘mão’ de Deus para outros, multiplicando bons cuidados para que, aos sofridos, não falte o necessário. Esta é a ‘linguagem’ de Jesus e seja também a da Igreja, e de cada um de nós: tornar visível o mistério de ‘fraternidade-compaixão’.
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Frei Claudio van Balen