MÃE: amor
infinito, intrepidez na defesa da vida e fraternura
Um tributo às Mães!
Frei Gilvander Moreira, O.Carm
---------Como
Maria, a Mãe de Jesus, a maioria das mães "derrubam
os poderosos de seus tronos" (cf. Lc 1,52), vivendo a partir
da lógica do amor, cultivando fraternura e não arredando
o pé da luta em prol dos filhos e filhas. Eis três exemplos
eloqüentes:
---------1)
Uma freira, desejosa de viver a contemplação no meio
do povo excluído da periferia de Vitória da Conquista/BA,
acabou desistindo de contemplar Deus face-a-face todas as manhãs
e foi tentar ser um pouco solidária com o povo aflito da vizinhança.
Um dia, enquanto visitava as famílias nos seus casebres, percebendo
que muitas mães davam água com sal para tentar consolar
os filhos que choravam pedindo alimento, a freira perguntou para uma
anônima mãe: "Por que você vendeu todas as
camas, cadeiras e os móveis da casa?" A mãe respondeu:
"Irmã, a senhora nunca vai conseguir entender o que significa
uma mãe ver o filho chorar gritando que está com fome
e não ter alimento para dar para o filho. Vendi todos os móveis,
um a um, para comprar pão para meus sete filhos. Frio até
que a gente agüenta, mas passar fome e ver os filhos pedirem
alimento é ser cortada por dentro; mata a gente aos poucos.
Nós mães não somos de ferro. Somos de carne e
osso e amamos os nossos filhos". Milhões de mães
clamam pelo nosso engajamento no projeto de erradicação
da FOME no Brasil.
---------2)
No norte do Paraná, dona Maria e seu esposo estavam com os
sem terra em uma ocupação de latifúndio improdutivo.
De repente, chega a polícia com a Ordem de despejo, dada por
um juiz de direito (não de justiça) e inicia sumariamente
a expulsar os Sem Terra sem conversa. Dona Maria foi agarrada por
traz quando tentava escapar da polícia. Ao olhar para traz
para ver quem lhe segurava, teve a infeliz surpresa de ver que estava
sendo agredida por seu próprio filho. Dona Maria ferveu o sangue
de indignação, pegou o filho pelo colarinho e começou
a desabafar: "Meu filho, foi para isto que eu te carreguei no
meu ventre nove meses?! Foi para isto que eu te amamentei no meu colo
por dois anos?! Foi para isto que eu e seu pai trabalhamos como escravos
para te criar?! Você não tem vergonha, meu filho, de
estar ajudando a assassinar seus próprios pais e irmãos?!
Você também é explorado, meu filho. Pelo amor
de Deus deixe de ser pelego! Você sabe o que significa ser pelego?
Pelego é aquele que mama nos de cima (opressores) e pisa nos
de baixo (irmãos, companheiros), entre os quais estão
seu pai e eu, sua mãe." O filho soldado, perplexo, ouvia
a mãe, mas ficou imóvel. O filho perdeu as forças
e ficou paralisado. Não podia mover-se para nenhum lugar. Este
acontecimento contagiou todos. Os Sem Terra triplicaram sua indignação
e renovaram a determinação de não abandonar aquele
latifúndio. Começaram a gritar em coro: "Policial,
você também é explorado. Venha cá para
o nosso lado!" Os policiais, chocados com a cena, ficaram comovidos
e desistiram de continuar o despejo. E uma faísca de tempo,
muitos policiais descobriram a sua consciência de classe. Perceberam
que estavam sendo traidores dos seus próprios irmãos
e companheiros. De repente muitos que, inconscientemente, sempre diziam
Sim aos seus algozes, aprenderam a dizer Não. Estava nascendo
novos Sujeitos históricos para a luta social com Consciência
de classe. Era a escola da Vida, da luta, funcionando.
---------3)
Certa vez perguntaram a uma mãe qual era o seu filho preferido,
aquele que ela mais amava. Ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
"- Nada é mais volúvel que um coração
de mãe. E, como mãe, lhe respondo: o filho preferido,
aquele a quem me dedico de corpo e alma, é meu filho doente,
até que sare. O que partiu, até que volte. O que está
cansado, até que descanse. O que está com fome, até
que se alimente. O que está com sede, até que beba.
O que está estudando, até que aprenda. O que está
nu, até que se vista. O que não trabalha, até
que se empregue. O que namora, até que se case. O que casa,
até que conviva. O que é pai, até que crie. O
que prometeu, até que cumpra. O que deve, até que pague.
O que chora, até que se cale." E, já com o semblante
bem distante daquele sorriso, completou: "- O que já me
deixou, até que eu o reencontre."
FELIZ DIA DAS MÃES !
Um beijo terno e um abraço de
Paz às mães e aos filhos e filhas.
Frei Gilvander Luís
Moreira
Frei Gilvander Moreira,
e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br