Caracas/Venezuela, 28
de janeiro de 2006.
-----------Queridas
mães, queridos pais, irmãos/as e amigos/as dos estudantes
da UFMG mortos em Ariquepa no Peru,
-----------Estamos
aqui em Caracas, no VI Fórum Social Mundial – FSM. O
sentimento que tivemos, após tomarmos conhecimento do acidente
com o ônibus dos estudantes vinham participar do Fórum,
foi o da permanente ausência física dos jovens companheiros,
no entanto, sentimos a presença viva e marcante deles no nosso
meio, nos mesmos sonhos. Assumimos, assim, o compromisso de redobrar
os esforços na luta, porque eles continuam vivendo de forma
plena, e também em nós. Somaram suas vidas a de tantos
mártires pela liberdade. O sangue deles corre agora em nossas
veias.
-----------Queridos
parentes e amigos, se a morte é algo irreparável, há
de se entender e dar continuidade ao sonho de quem partiu desta vida
lutando por um mundo melhor. Quando sentirem saudades de seus entes
queridos, lembrem-se da miséria dos milhões de crianças,
velhos, dos jovens sem perspectiva de trabalho, doentes e analfabetos
explorados pelo sistema capitalista e pelos quais lutavam nossos queridos
jovens.
-----------“Não
podemos esperar mais!”, afirmou Hugo Chaves, ontem, ao falar
para os milhares de participantes do VI Fórum Social Mundial
em assembléia no estádio Poliedro. Se passarmos os olhos
por toda a América Latina vemos que o nível de exploração
capitalista e o avanço do neoliberalismo chegou no limite.
-----------Lembremo-nos
dos milhares de camponeses colombianos que são expulsos de
suas terras diariamente pelas milícias paramilitares que dão
apenas algumas horas para que os camponeses deixem suas terras somente
com a roupa do corpo. Milhares são assassinados, vítimas
de um regime neo-fascista. Contra esses o império estadunidense
não impõe o respeito aos direitos humanos. O tecido
social da Colômbia encontra-se esgarçado.
-----------Lembremo-nos
dos milhões de trabalhadores sem terra em todo o continente,
da perpetuação do latifúndio no Brasil, do trabalho
escravo nas plantações de cana de açúcar,
nas carvoarias, no desmatamento da Amazônia. A concentração
de riquezas e a opção pelo agronegócio em detrimento
da agricultura familiar, causadoras de outras tantas gerações
de desnutridos e analfabetos. A mercantilizaçao da educação
ou a manutenção de um péssimo ensino público,
acrítico, que nega o direito à aquisição
do conhecimento tão necessário a uma vida digna e cidadã.
Universaliza-se diplomas e não conhecimento.
-----------Sejamos
solidários com o povo boliviano, tão expropriado, mas
que agora se levanta com a eleição do primeiro presidente
indígena para poder usufruir das enormes reservas de riquezas
naturais e caminhar de forma soberana.
-----------Nenhuma
vida se perde em vão! O sonho de Pedro, Roberto Tadeu, Taís
e Thiers é o que respiramos em Caracas, no VI FSM. Muitas iniciativas
concretas de libertação estão em curso em toda
a América Afrolatíndia. Foi eleito Evo Morales, legítimo
representante dos povos indígenas e dos camponeses bolivianos.
-----------Como
uma estrela, Cuba ensina como viver uma vida de amor ao próximo,
de solidariedade sem fronteiras e de desprendimento. São 20
mil médicos cubanos alavancando uma revolução
no sistema de saúde na Venezuela. O povo cubano continua aguerridamente
resistindo ao bloqueio e ao modelo hegemônico do império
norte americano.
-----------O
povo venezuelano, sob a liderança do presidente Hugo Chaves,
está empreendendo um processo de libertação muito
promissor. Um grande mutirão acabou com o analfabetismo no
país. Quatorze mil mercados populares com preços baixos
alimentam cerca de 16 milhões - dos 26 milhões - de
venezuelanos. O povo controla e comercializa o petróleo, grande
riqueza natural da Venezuela, que agora serve para melhorar a vida
das pessoas e não mais aumentar o lucro das multinacionais.
Acima de tudo, encontramos um povo cheio de esperança, uma
juventude esclarecida e comprometida com a organização
popular, com a construção de uma democracia verdadeiramente
participativa.
-----------Queridos
compatriotas, com o mesmo sentimento de perda, solidarizamo-nos a
vocês neste momento, mas propomos que, ao invés do vazio
da saudade, agradeçamos a Deus por termos no Brasil tantos
jovens que acreditam e lutam por um “Outro Mundo Possível”,
socialista, democrático, participativo e solidário!
Que a luz, a vida e a grandeza de Deus, existentes em nós,
brilhem sempre na lembrança de Pedro, Roberto Tadeu, Taís
e Thiers. Fiquem com Deus e até a volta ao Brasil!
Professora Delze dos
Santos Laureano – delzesantos@hotmail.com
Frei Gilvander Luís Moreira – gilvander@igrejadocarmo.com.br